top of page

Genuína Autenticidade

  • 21 de nov. de 2023
  • 2 min de leitura
A primeira paciente que atendi, ainda na universidade começando estagiar na clínica, era uma senhora que logo ao entrar no consultório começou a chorar, ela sentia medos profundos e me disse que o dia a dia dela era composto de várias peças de quebra-cabeça que no final, quando conseguisse todas as peças, iriam formular uma verdade. Ela possuía um grau de psicose, o que foi um “erro” para o sistema ter deixado ela chegar até uma estagiária, ela desapareceu antes do fim do tratamento e antes de qualquer intervenção ser feita. 
Ela estava mergulhada em suas fantasias e a fala repetida por ela várias vezes naquele dia sobre os quebra-cabeças me marcou. Desde que comecei estudar psicologia eu tenho um interesse latente por compreender o simbólico que emerge através da vida, infelizmente naquele momento da minha graduação não tive alguém que pudesse me ajudar a analisar e olhar esse caso como eu gostaria, mas nunca perdi ele de vista em minhas memórias.  
No que foi considerado loucura, hoje, percebo um conteúdo simbólico intenso. Hoje concordo com a visão dela, em partes, de encontrar dia após dia uma peça de um quebra-cabeças para chegar a uma verdade que é a própria vida. Só aprendemos o que é viver, vivendo. E isso só se dá dia após dia, momento desconhecido que se segue a cada segundo.  
Nossa psiquê é composta por peças, juntando todas formamos uma totalidade. Uma totalidade de tamanha profundida que envolve até mesmo aspectos de quem somos. A psicologia através dos meus olhos sempre foi algo genuíno, mesmo estando tão acostumada a ver diariamente sempre mais e mais do mesmo, nunca olhei para minha profissão com superficialidade. Bem pelo contrário, a Psicologia sempre me foi o lembrete da nossa completude, do que carregamos internamente. Não isso que é influenciado pelo externo, mas o que mora no fundo, as vezes esquecido, que é nossa autenticidade, nossa individualidade.  
Quando estou trabalhando, analiso o subjetivo de cada forma de expressão que recebo de meus pacientes, tal como fossem peças. Peças de autoconhecimento. Peças que levam aquele paciente rumo a sua individuação. Individuar é o principal objetivo da psicologia analítica, e através da minha ótica percebo como um quebra-cabeça, cheio de peças que encontramos na nossa vida simples e diária, mas repleta de simbolismos que formam uma imagem completa. Se olharmos atentamente veremos, tal como aquela paciente que se sentou em frente a uma estagiária de psicologia anos atrás, quantas peças do nosso quebra-cabeças individual se escondem nos acontecimentos de cada momento. 
Já dizia jung “precisamos de mais psicologia”, precisamos voltar nosso olhar para o lugar de onde ele nunca devia ter saído: nós mesmos. Precisamos perceber a sincronia dos acontecimentos na nossa vida que sutilmente nos guiam. Precisamos de autoconhecimento, conhecer nossos complexos que nos travam, os atos inconscientes que surgem no caminho, valorizar tudo que vem da nossa existência enquanto coletivo mas sem perder nossa individualidade. 
Re-contar nossa biografia pessoal. Re-viver nossos sonhos. Re-criar nossos símbolos. Re-construir quem somos. Explorar a profundidade em nós para além das telas, para além das ânsias, para além das teorias, para além da superficialidade.

Se esse texto faz sentido para você e quiser entrar em contato com sua profundidade agende uma sessão cliclando aqui. Ou entre no meu grupo "Re-construir" nesse link.



 
 

Thainá Kucarz                                         Psicóloga - CRP 12/20947

Tel. (47) 99910-7405                               Email: thainakucarz@gmail.com

bottom of page